Interiores Especial

Rodrigo Reis e Guilherme Ávila

O apartamento no centro de São Paulo reúne influências das estéticas escandinava e industrial

Rodrigo Reis e Guilherme Ávila dividem um aconchegante apartamento na Alameda Barão de Limeira, no centro de São Paulo. Rodrigo já morava nesse edifício e estava de olho nesse imóvel fazia um ano. Na primeira visita ele tratou de fazer cópias das chaves e visitava o apartamento com certa frequência, para ver onde o sol batia, onde não batia, quais seriam as reformas necessárias e por aí vai.

Com o contrato assinado começaram as mudanças estruturais, elétrica e hidráulica. Foram dois meses de obra e eles enfim se mudaram. A decoração do apartamento, assinada por Rodrigo, conta com itens industriais vindos de seu antigo imóvel em sintonia com os móveis do Guilherme e novas aquisições com influência escandinava, graças a uma viagem que fizeram juntos para Estocolmo e Copenhagen.

Eles se consideram bairristas e adoram descobrir novos endereços no centro seja caminhando a pé ou passeando de bicicleta. Eles sabem na ponta da língua qual é novo restaurante de culinária estrangeira no bairro, as festas mais bacanas que acontecem em antigos bordéis da região ou a cafeteria mais descolada do bairro. E garantem que com tanta opção, não precisam mais sair do centro para nada.

Quem foi o responsável pela decoração?

RODRIGO_  Na parte de interiores eu aproveitei quase tudo que eu já tinha no outro apartamento. E também foi o momento que juntar as minhas coisas com as coisas do Gui. Também fiz toda a marcenaria do apartamento novo. Tenho um marceneiro muito bom, de confiança, e eu desenho e executo tudo com ele. Fiz a estante da sala, a cama, a cabeceira, a cômoda, a mesa, os armários da cozinha, o armário da lavanderia e as portas de correr.

Já os móveis eu sempre fui de garimpar muito, em lugares como Lar Escola São Francisco, mas hoje na verdade eu já não vou mais tanto como eu ia antes. Mas sempre que eu vou, eu acho alguma coisa, como aquele sofá que esta lá fora, encontrei ele recentemente no Bazar da Unibes.

E eu acho que hoje em dia está tão difícil de achar coisas que sejam diferentes, porque depois que popularizou o design, eu tenho visto todo mundo vendendo as mesmas coisas. Mas pro meu olhar essas coisas já estão ultrapassadas. Eu vou nas feirinhas e vejo aquele monte de luminária de pinus e eu já fazia isso em 2010 quando eu saí da Escola Panamericana. Então eu acho meio cansativo, como se agora tivesse popularizado o que todo mundo estava pensando em 2010.

E quais são as suas referências no momento?

RODRIGO_  Tudo mudou quando a gente viajou pra Estocolmo e para Copenhagen. Foi quando eu pensei: eu posso não ser daqui, mas eu achei um lugar onde as pessoas realmente pensam como eu penso e enxergam o que eu enxergo. E é tudo muito simples. O desenho é muito simples, muito limpo e eles tem uma pegada de cartela de cor. Isso pra mim agora é o que eu mais gosto de ver, a composição. São coisas que não tem nenhum desenho extraordinário, mas o resultado é bonito porque a composição foi bem feita.

GUILHERME_  Acho que foi em Estocolmo que a gente ficou na casa de uma menina que estava indo passar o feriado numa ilha e alugou a casa pra gente. A casa era bem pequena mas era tão gostosa e aconchegante.

RODRIGO_  E agora eu estou em outra, minha cabeça mudou mesmo. E a viagem foi muito boa pois eu prestei muita atenção na casa das pessoas, lá as coisas se conversam, mas não por existir uma temática, a temática pra eles é o conforto e a beleza. E por ter amadurecido e estar mais velho também eu parei de querer impor minha personalidade enquanto estilo na casa.

 

Como é o dia-a-dia de vocês na casa nova?

RODRIGO_  A gente cozinha bastante e a gente recebe bastante. Acredito que o fato de ter aquela área externa é muito gostoso, a gente até recebeu uma reclamação de uma das festinhas. Era aniversario do Gui, estava a família toda lá fora e a vizinha reclamou. Os encontros começam de tarde e acabam virando a noite, aí não tem jeito, ali está muito gostoso e temos aproveitado bastante.

Mas está sendo bem legal a nossa rotina juntos na casa. A gente namora há 10 anos e nós não morávamos juntos ainda. E por essa ser a nossa primeira casa, juntou amigo meu com amigo dele e está muito legal.

 

O que atraiu vocês para o centro de São Paulo e como é a relação de vocês com o bairro?

RODRIGO_  Eu gosto muito da região. Nunca tive nenhum problema, nunca fui assaltado aqui. Quando eu tentei vender o meu outro apartamento percebi muito que se a pessoa tinha o perfil para morar no centro, ela não tinha o dinheiro. E se ela tinha o dinheiro, provavelmente ela não tinha o perfil.

As vezes é feio de você ver o que acontece por aqui, mas não é algo que te agride, não vem pra cima de você. E eu acho também que hoje em dia essa coisa do crack e dos assaltos, tudo se pulverizou muito pela cidade. Já a questão da diversidade eu acredito que está muito mais aceita por aqui. No centro você vê muito mais a diferença convivendo todos os dias, na rua, de dia e de noite, do que era antes, ou do que ainda é em outros lugares.

Hoje em dia aqui no centro a gente tem visto muitos refugiados. Em todo lugar que a gente vai. Estão todos aqui no bairro, o que é ótimo já que estão abrindo vários restaurantes de comida local. Tem o Vovô Ali, que era um botequinho minúsculo na Rio Branco, e depois ele alugou aqui na Barão de Limeira um restaurante grande e é muito bom. Tem um africano agora aqui mais pra frente. O peruano que abriu mais uma unidade, eles já estão com quatro restaurantes. E você vai ali na hora do almoço e está tudo lotado.

Eu gosto bastante de ir no café Beluga, tem aqui também o Barouche. O que eu acho que ainda falta aqui é supermercado melhor, existe muito mercado pequeno e médio, mas falta um mercado maior com mais opções.

GUILHERME_  O básico você acha aqui no centro. Mas se a gente quer fazer um risoto temos que ir até Higienópolis pra conseguir comprar um arroz arbóreo, por exemplo.

RODRIGO_  Uma coisa legal do bairro também é que agora nos antigos puteiros tem tido festas bem legais. Pessoas que fazem festas estão olhado mais para esses lugares e estão fazendo eventos legais. Agora realmente a gente não precisa de carro e nem quer sair do bairro. A ciclofaixa também ajudou muito, podemos ir para vários lugares de bicicleta com mais segurança. E isso tá me deixando meio bairrista. Acho que se não existisse o resto da cidade, eu viveria muito bem aqui. Feliz!

Texto: Paula Queiroz | Fotografia: Manu Oristanio

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